23

Volto hoje ao apartamento 23. A casa que me fazem acreditar ser minha, mas não me sinto nenhum pouco confortável. Observo os quadros e me divirto lembrando como tu tirava sarro deles, mas sempre ficava ao meu lado imaginando o que poderiamos mudar ou tirar na decoração. Porque ali era o nosso canto, a nossa casa. A mesma casa com que eu sonhara passar a vida toda contigo. Hoje,o pedacinho de céu não passa de um cubo mobiliado, onde tenho que viver e me rodear de lembranças tuas por todos os lados.
Enquanto você recomeça sua vida desse lado, aqui do outro me embriago de saudade dia e noite. E cada gole forte e amargo é umpouco da minha esperança que some. A esperança em te ver voltar ao vinte e três de surpresa como sempre fazia, colocar suas mãos pesadas em minha cintura enquanto eu descanso, em seus ombros, da ressaca de saudade que você mesmo deixou, junto ás pequenas heranças deixadas: copos quebrados, cinzeiro cheio, garrafas vazias e coração dilacerado.
Eu sei meu bem, o quanto isso era preciso. Eu sei, mas você não sabe. Não conhece o vazio que provocou. Não sabe o que é perder tudo.
Retorno á escrever em letras pretas poesia e prosa coisas que pra muitos não fazem menor sentido. Mas pra nós é uma história, daquelas que só podem ser contadas por quem a viveu.
Aceito mais uma rasteira do destino. De repente a vida parece ser aquele filme velho e chato que a gente continua pra ver se no final, o jogo vira. Faço o melhor pra esconder o emocional e deixar transparecer a razão. Tranco as portas e as janelas, mas que cabeça a minha! Só tu tem a chave, e agora vai ter que ser para todo o sempre. Até quando o sempre acabar…

23rd July, WednesdayReblog

(Source: olhos-eloquentes)

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes

— Flores - Titãs

1st July, TuesdayReblog
Faça-me uma pergunta

ask.fm/sarahconca

(Source: )

30th June, MondayReblog
Céu x Inferno

Desde que nascemos, nos tentam ensinar o conceito de bem ou mal, de céu e inferno, e que ambos não se misturam. São uma coisa e outra coisa, não mudam. O tempo passa, a gente cresce e descobre que esses dois conceitos podem ser do jeito que a gente quiser, pois bem, o inferno das pessoas ás vezes é o paraíso pra mim, e vice versa. Cada um escolhe como quer viver (e ver) o mundo, e escolher um lugar pra dizer: aqui me sinto no céu.

Morei em vários lugares, e pra mim todos se tornavam inferno uma hora, talvez porque eu não tenha nascido pra me apegar á lugar algum, pelo menos era assim que eu pensava. Por vinte anos tentaram colocar na minha cabeça que era eu quem fazia o meu paraíso. Me fizeram acreditar na boa fé das pessoas, mesmo sabendo que não existe porque humanos são assim. São todos assim.

E então, eu encontrei meu paraíso. E o mundo me apartou dele e do meu sossego. Eu precisava agora, encontrar um lugar pra me sentir segura e em paz, e olha que surpresa! Não era um lugar: era uma pessoa. Não pensei duas vezes, encontrei meu lugar! 

Fui. Lutei. Sangrei pelo meu pedacinho de céu, e ele me apunhalou. Pois é, eu criei a onde que iria me engolir. Eu depositei toda a confiança, amor, tempo em um ser só, esquecendo que ele é ser humano como eu, você, todos nós: Fracos.

Respiro fundo, não deixo o ódio me invadir. O céu se tornou inferno como todos os outros, mas dessa vez eu não tenho pra onde correr. Lembro de minha mãe dizendo “Você faz o céu e o inferno”. Tomo coragem, refaço as malas e volto. São mais de treze horas pra enfrentar o meu inferno pessoal, e tentar transformá-lo em céu.

Talvez seja o maior desafio até aqui, e quando se trata de desafios, minha alma fraqueja. Mas em momento algum, tardou a se reerguer.

E você?

Sarah Conca

26th June, ThursdayReblog

E hoje eu estou aqui
Gaivota ferida, indecisa
Pra onde vai voar
Quando a ferida finalmente cicatrizar
Enlouqueço só de pensar
E no que eu vou me inspirar?
No que eu vou pensar antes de dormir?
No que? Quem? Que olhar?
espero um olhar novo que está por vir
Mas não pode ser qualquer um
Um que me tire os pés do chão
Um que me tire o ar
Que me faça perder
a cabeça, a razão, tudo de uma vez
Que esteja comigo não só na embriaguez
Um olhar que me inspire
Não precisa me devorar
Nem me despir
Eu só quero que esse olhar
Me aponte pra onde ir…

S.C

24th June, TuesdayReblog
De volta ao avesso

E de repente, tudo voltou a ser o que era. Meu coração se vira do avesso novamente, e eu vou sendo o que era e gosto de ser: a menina do cabelo bagunçado com sorriso tonto que ela só exibe agora pros amigos mais íntimos, com medo de que um sorriso venha a mudar todo o trajeto. De novo. Difícil mesmo é lidar com a cicatriz e não deixar que elas interfiram em atitudes futuras, mas que ao mesmo tempo me sirvam de lição para muitas coisas. E a principal delas é: não aceitar nunca aquilo que é forçado. Seja um agrado, um presente, um abraço. Eu me vi tão obcecada em tê-lo pra mim, só pra mim, e pra sempre que o perdi. Confesso que eu tinha vontade de apontar pra ela e dizer “Satisfeita? Você destruiu em um dia o que levei anos pra tentar construir”, mas eu estaria sendo tão ridicula quanto os dois. Porque forçar algo nunca foi de meu feitio, e respeitar a vontade do próximo sempre foi, pra mim, uma lei. O que feriu é só orgulho, pois de amor nada mais resta. Aqueles sonhos de adolescente apaixonada que sonha em viver uma vida inteira juntos não existe. A luz no túnel é passageira, e a felicidade que eu tanto procurei em outras pessoas, outros lugares sempre esteve aqui. Felicidade está em ser o que você quer ser, em fazer o bem sem esperar nada em troca, em receber sem pedir nem forçar. Bem, isso foi uma lição que eu tentei colocar na sua cabeça por um ano, mas não adiantou. Eu tentei. Juro que tentei.

You lost, little boy

Sarah Conca

22nd June, SundayReblog
Lições

A vida me bateu com força, me jogou no chão e me reergueu novamente pra fazer tudo de novo, dessa vez com erros diferentes. E cada hematoma deixado foi colocado ali por divina providência, e ás vezes deixando até traumas. Eu odeio traumas, pois são o tipo de coisa que muitas vezes nos impede de arriscar, sentir. Mas eu tenho e sinto demais. Quando você ergue o tom de voz agressivo pra mim, é um hematoma que volta á doer. Quando você mente e eu acredito, é uma ferida que abre. E quando você vem, assim tão manso á minha porta, é mais uma lasca do meu coração que se quebra de novo, como cristal.

Eu me embriaguei de saudade meses inteiros. Eu arranjei um jeito de dar fim á distância, e assim que consegui que essa distância desaparecesse, foi você quem ergueu o muro entre nós, que nos separou para sempre. Você ainda insiste em dizer que mesmo com tantas moças por aí, eu sempre serei sua preferida, e eu odeio quando você me fala assim. É que eu não quero ser a preferida de ninguém, meu bem. Não sou um bibelô e não ficaria nada bem na sua estante.

Sinto muito por não sentir, mas foi assim que você me ensinou.

Sarah Conca

15th June, SundayReblog
Dead Valentine

Já consigo caminhar sem olhar pro chão. Tudo que eu vejo são propagandas em formas de corações coladas nas vitrines. Nunca gostei de dia dos namorados, principalmente agora que encerro o ciclo que eu poderia chamar de mais lindo e mais sofrido até agora. Lindo, porque descobri nele até onde eu poderia chegar por alguém. E sofrido, pelo mesmo motivo.

Eu viajei treze horas até você e treze horas pra casa. Eu sacrifiquei  um valioso tempo na Terra e deixei os que eu amava quando tu me pediu pra ficar. Naquele tempo, só você importava e mais ninguém. Quando quis me deixar eu implorei, quis morrer enquanto seus lábios tocavam outros e eu nem se quer poderia fazer alguma coisa. Foi mudando de vida por você que descobri quem realmente era, e o que realmente queria. Não o culpo, pois também sou confusa. Embora fique na minha cabeça uma interrogação em não saber se você me amou um dia ou não, isso não faz mais diferença.

Talvez tenha sido tarde pra você mudar, mas pra mim não foi tarde. Aprendi e muito que amor verdadeiro não sufoca, não mente, não trai…e não existe de ninguém além de seus pais. É inevitável que as lembranças ainda rodem a minha cabeça, como a canção My Valentine que tocava o tempo todo no início, e eu acreditei em cada palavra dela. Bem, se era verdade, se era amor, não importa.

Volto á pensar nas malditas canções, nas vitrines das lojas e nos comerciais de t.v. Meu coração partido em minúsculas partes se enche de fúria, atira pra todos os lados num grito de dor desesperado: “não existe luz no fim do túnel!”

Eu deveria atirá-lo todas as pedras que eu tinha na mão, mas eu agradeci. Agradeci por ter me mostrado que tudo que fiz tentei e lutei pra sermos felizes era em vão, se já não existia amor de duas partes.É inútil quebrar a cara de novo e de novo se os resultados são sempre piores.

Obrigada pela dor que me fez crescer. E cresci tanto que agora eu sei que não quero mais te encontrar.

Sarah Conca

(Texto final para o meu livro “Sobre cinzas- o começo e o fim de um amor”)

11th June, WednesdayReblog
Eu quero que você morra, ao mesmo tempo que morreria por você. Eu quero te mandar embora, ao mesmo tempo que queria me agarrar á você e não deixá-lo ir. Eu queria colar de volta os meus pedacinhos, ao mesmo tempo que os quebraria de novo por você. Eu queria que você me esquecesse, ao mesmo tempo que, tudo que eu mais queria afinal, era que você soubesse que eu sempre estive aqui.

— Sarah Conca

28th May, WednesdayReblog