Alma errante

Hoje, me peguei lembrando do teu sorriso. Assim, do nada, me veio na cabeça. A primeira coisa que pensei em seguida foi ” não comece! Não é nada” e de fato, não era nada alarmante. Nada que envolvesse amor, não desta maneira. Mas é que deu saudades. E pra ajudar, eu que não paro em lugar nenhum não faço idéia de quando irei revê-lo, ou se irei de fato. Desde então, meu passatempo preferido é imaginar como seria te ver de novo. Bobeira, né? Costumo passar o tempo só, e com isso desenvolvi uma imaginação bem fértil, e quando se trata de você ela vai além. Já tinha lhe dito que tu me traz inspiração, pois bem, ela voltou!

E se eu pudesse mudar minh’alma de lugar? Com certeza, essa noite iria parar no teu quarto, e te admirar em silêncio, como eu um dia gostei de fazer. Vai esperar anciosamente por um sorriso teu, e então ficamos: minha alma e eu, admirando teu sorriso e me pergunto: como é que a alma entra nessa história, ja que o que sinto é tão carnal? Eu desisto de tentar entender. Só sei o quanto te quero com todo seu calor junto do meu. Sempre te imagino me dizendo meias verdades, enquanto lhe faço suas vontades - todas aquelas que ainda não realizei. Queria eu poder trazê-lo até mim há tempo de ouvir a última frase da canção que toca agora em meus ouvidos. Diga que você me quer, porque eu te quero também.

Sarah Conca

28th August, ThursdayReblog

"Não é preciso nem uma semana pra eu sentir vontade louca de mudar de ares. E a estrada se torna rotina de novo, e por mais que eu suspire e diga que não a quero mais, uma hora ela começa á fazer falta. E sem perceber, pouco a pouco viro nômade. Bem, não sei o nome certo pro que acontece comigo. Só sei que a mudança passou a ser uma peça essencial na minha vida. Uma peça que, sem ela não me sinto feliz, muito menos livre. Livre sei que nunca serei, pois em cada lugar que pouso, tenho deveres á cumprir. Como gaivota eu vôo, mas sempre volto. Volto porque distribuo em cada lugar que pouso, partes de mim que me dêem motivos pra voltar, e não importa o quão longe eu voe: onde existir amor, eu voltarei." (Sarah Conca)

27th August, WednesdayReblog
Platônico

Desculpe.

Esse meu jeito meio inesperado de me apaixonar todo dia por alguém diferente. Alguns duram meses, outros semanas e alguns, nem um dia. Respiro, dou e sou amor, e isso ninguém pode me tirar. Gosto de estar rodeada por tudo que amo, e amo tudo aquilo que me faz bem. Pouso feito borboleta e danço entre os dedos dos meu protegidos, e de mão em mão eu abraço, eu beijo, eu dou e recebo um tanto. Mas não espere que eu fique no mesmo lugar, pois estou sempre em movimento e em eterna mudança e quem me conhece sabe que é real. É que eu tenho um mundo lá fora pra amar, e o amor em sua essência deve ser assim: livre.

Acontece que por uma dessas andanças por ai eu encontrei também um viajante. Desses que vem de muito longe, sabe de onde veio mas não pra onde vai. E tem mais: ele não se parece com ninguém. Ele não é como o taurino que eu conheci pelos bares, não é o músico de blues que canta baby, ligh my fire. Ele é sim canceriano, mas mesmo todo canceriano tem seu diferencial. Ele não é como nenhum desses rapazes que conheço da noite pro dia e que prometem me ligar no dia seguinte e não ligam. Ele não é. Ele não é, mas podia ser tudo pra mim, mas como cobrar isso de um viajante como eu? Sei que tem uma série de coisas que ele não é, ora, o conheço tão pouco…e a única coisa que fosso afirmar é que ele é o cara mais bonito que já conheci em toda minha vida, e eu perderia com ele um bom tempo, se fosse preciso. O ruim de se apaixonar por um desses, é que nunca se sabe quando o verei de novo, se o verei. 

Apenas suspiro. “Boa viagem” é tudo que lhe posso desejar.

Que a música lhe guie, pois eu não posso guiar.

Sarah Conca

26th August, TuesdayReblog

A Lucidez.

Estranho a mudança brusca do tempo e o calor na noite que costumava ser fria e calada. Tráfego de carros e pessoas me deixam mais perdida do que cego em tiroteio, mesmo estando aonde chamo de casa, e tudo não passa de um conjunto de cores luzes e movimentos rápidos, na minha visão lisérgica do mundo.

A Loucura.

Naquele estado eu já implorava por sobriedade. Mãos geladas e tato sensivel, junto com calafrios que eu não fazia ideia de onde vinha.

A Calma.

Me deito nas rochas pra ver o céu que me lembra um globo de neve de onde é impossível sair. Me vejo perto de casa e me acalmo, mesmo vendo tudo como não é.

A Percepção.

As portas se abrem de novo e me mostram infinitas possibilidades, infinitos assuntos pra se discutir e infinitos pontos de vista. Começo de novo á pensar no universo como um todo, e me vejo como um grão de areia no mar sem fim, e de fato sou. Há muito que não podemos ver, e por não vermos, apenas respeitamos.

A Ilusão.

Encontro de novo o xamã. E em meio de tanta gente, nós dançamos juntos, como se só existisse eu, ele e a fogueira. Rodopio até cair no chão e olhar de novo para o céu. Áquela altura já havia me adaptado á insanidade.

O amanhecer

A aurora ameaça surgir. Subo até o topo da montanha, andando de um lado pro outro como um verme chapado. A altura não me intimida, e sinto vontade de mergulhar, mas o pouco de sobriedade que me resta diz que não. Admiro o degradê de cores no céu, e só de sentir o vento, respirar aquele ar e sentir o Sol, vale á pena ter nascido. Olho para os poucos e bons que estão ao meu lado. Seres de luz, que ás vezes nem sabem do brilho que tem, e isso os torna mais amáveis e amados. Abraçamos á nós e o mundo, sorrimos e distribuimos bom dia. Alguns seres olham torto, como se bom dia fosse ofensivo. Rimos e continuamos á andar sobre as rochas.

Liberdade

Me coloco de novo em frente ao abismo. Extendo os braços e fecho os olhos. Imagino meus medos mais profundos e os enfrento, e o medo se encolhe e desaparece.A noite chega ao fim. Abro os olhos pra um novo dia, e enfrento meu medo do mundo

Me sinto livre…

Sarah Conca

25th August, MondayReblog
O lagarto e a serpente

Talvez em outras vidas, tenha sido eu, Julieta. Que de tão romantica, gosta de romantizar até seus encontros mais casuais com pessoas que talvez nem volte á ver um dia. Pois bem, hoje vou contar como conheci um taurino. Sim, um taurino! E quem acompanha meus textos mais trágicos e histórias mais desastrosas sabe como todos aqueles que me abalam e me atraem ao mesmo tempo são cancerianos. Mas dessa vez tudo foi diferente. Até então nunca tive nenhuma relação forte ou próxima com alguém nascido e regido pelo mesmo signo que o meu. É normal que se passe pela cabeça de vários que signo é uma grande besteira, mas eu acredito sim que sua colocação no mapa astral e seu planeta regente dizem muito sobre sua personalidade. E de touro eu entendo bem.

Mas o que ele tinha de semelhante á mim, senão o signo, o time de futebol e tatuagens de repteis? Ora, de que importa? É só uma noite e nenhum dos dois terá que se suportar no outro dia e nem no outro, embora no fundo, minha vontade era ficar mais. E eis aqui, meus caros, o problema: agora eu procurava nele motivos que apontavam o porquê de querer ficar. Confusão. Quando me beija ao pé do ouvido, quando se mostra prestativo e cuidadoso, mesmo eu que odeio quando me tratam como ser indefeso e frágil, só queria que cuidasse de mim. Mesmo sem eu precisar, só pra estar ali. Quando espalha o seu suor em mim, me deixando percorrer cada curva do seu corpo, coberto com suas inúmeras tatuagens que á cada minuto descobria uma nova. Sou geógrafa, sou bicho curioso e explorador, e com todo respeito, explorar você foi uma experiência deliciosa que eu repetiria várias doses, se pudesse. 

Olho pro relógio. Já são meio dia e tenho que ir. O observo dormindo e minha vontade era ficar ali, até adormecer também. Porém, ja adiei demais, meu bem. Me visto lentamente como se ainda esperasse tu me despir de novo. E vou, com aquele sentimento de que já vou tarde e não voltarei. Me despeço e deixo me levar pela mesma frase que escuto de todos os outros: Vamos nos ver de novo. E no fundo eu sei que não, mas quem sou eu pra exigir mais do que isso? Logo eu, que nem sei o que tu pensa de mim, se é que pensas, na verdade. Aceito o destino que me é traçado. Óculos escuros, o Sol está forte lá fora.

Bom dia…ou boa tarde, de repente.

Eu nasci pra ser lagarto, e tu, serpente.

Sarah Conca

21st August, ThursdayReblog
Desapegue para sorrir

Cada dia que passa tento manter viva a paciência de compreender outros humanos, aceitar seus defeitos do jeito que são, e não dar a mínima por esses não se importarem com o que qualquer um sinta. Tento entender porque tanto traem, mentem, destroem, porém quanto mais me aproximo, maior é o estrago. Eu nunca pedi demais. Um café e uma conversa depois de um encontro casual, por exemplo. Depois um abraço, um até logo e a sensação de que o “até logo” seja um “Adeus”, junto á sensação de que vou tarde. É claro, não são todos, mas esses eu conheço muito bem. Sumiram da minha vida do mesmo jeito que entraram: do nada. Saudades de um tempo em que eu me importava, hoje, sou eu quem me levanto sem esperar o café ou qualquer outro pedido que me faça ficar. Não por querer ir embora, mas por estar cansada de esperar. Eu que tanto esperei e corri por alguém, e aqui estou: sozinha de tanto sonhar. Nunca a palavra desapego faria tanto sentido como agora, e acredite! Dói mais em mim lamentar e te dizer “desculpa, mas não restou nenhuma demonstração de afeto aqui dentro”. É um bloqueio que, por mais frio e cruel que seja, me mantém longe de muita coisa.

É por isso que pra mim tanto faz se me querer no dia seguinte ou não. Mas não me iluda se quiser ficar. Não me prometa nada, nem diga que vai me procurar. Uma hora eu acabo acreditando, e você sabe, tenho lá meus defeitos mundanos, mas lhe ofereço: meu calor, meu café, meu endereço. E deles, você escolhe qual vai aceitar, deixar esfriar…ou visitar.

Sarah Conca

17th August, SundayReblog
Os três mal amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

17th August, SundayReblog

(Source: marijuananirvana)

Pirâmide

Tua frieza não me atinge mais.

Cinco horas, um cigarro e a espera pela aurora. Já se fazia muito tempo que ódio medo e angustia eram as únicas coisas que eu podia sentir, e o que fica agora é a dúvida e a busca eterna pelo que eu realmente sou. O que eu fui ou de onde eu vim não importa, já passou. A única certeza é que sou um coração vadio procurando amor em si mesmo, vendo mentiras na televisão e a classe alta que, como você, tentam me apontar onde é o meu lugar, e que nele eu devo permanecer.Ora, se nem eu sei quem sou, quem é você pra me dizer que não sou nada? Eu posso ser melhor do que tu pensas, ou bem pior do que achas que eu seria capaz. Eu olho para o fundo do poço e não me vejo mais nele, porém também não estou por cima. Sou o meio, o elo perdido na sala de espera da vida de novo, lendo revistas sobre a vida de outras pessoas que me fazem acreditar ser mais importantes do que eu. Pessoas que se sentem por cima e te pedem migalhas que, segundo eles, é pra ajudar os que estão por baixo. Enxergo uma certa semelhança entre eles e você. Ambos acham que estarão sempre seguros no topo da sua pirâmide de orgulho indestrutivel, e que hipocrisia! Dizem querer me ajudar a chegar em cima. Ora, se pra isso terei que ser como vocês, muito obrigada moço!

Eu ainda prefiro o fundo do poço.

Sarah Conca.

15th August, FridayReblog